Reflexão…
Reflexão…
« […] for what can we bequeath
Save our deposed bodies to the ground?
Our lands, our lives, and all are Bolingbrook’s:
And nothing can we call our own but death,
And that small model of the barren earth
Which serves as paste and cover to our bones.
For God’s sake, let us sit upon the ground,
And tell sad stories of the dead of kings –
How same have been deposed, some slain in war,
Some haunted by the ghosts they have deposed,
Some poisoned by their wife’s, some sleeping killed,
All murdered. For within the hollow crown
That rounds the mortal temple of the king
Keeps Death his court; […]
[…] Throw away respect,
Tradition, form, and ceremonious duty,
For you have but mistook me all this while.
I live with bread, like you; feel want,
Taste grief, need friends. Subjected thus,
How can you say to I am a king? »
« […] Que temos que testar,
Salvo o deposto corpo entregue ao túmulo?
Tudo o que é nosso e a vida a Bolingbrook’s advêm,
E o que diremos nosso senão morte nossa
E esta pequena crosta de singela terra,
Que serve só para cobrir os ossos?
Ah, por amor de Deus, sentemo-nos no chão,
Contando histórias tristes da morte dos Reis:
Como têm sido alguns depostos; outros
Caíram em combate; alguns possessos
Pelos fantasmas que deposto haviam;
Outros envenenados por esposas,
Enquanto outros, dormindo, foram mortos:
Assassinados todos. Pois dentro da Coroa
Que as têmporas mortais de um Rei circunda
Tem sua Corte a Morte […]
[…] Deitai fora
Respeito, as tradições, as etiquetas,
Porque me haveis julgado o que não sou:
Vivo de pão, qual um de vós. E sinto faltas,
Procuro amigos, sofro dores. Assim sujeito,
Como podeis dizer-me que sou Rei? »
W. Shakespeare, Richard II, 3, 2.
(tradução portuguesa de Jorge de Sena, Poesia de 26 Séculos – de Arquíloco a Nietzsche, antol., trad., pref. e notas de Jorge de Sena, Coimbra, Fora do Texto, 1993)
In, Hermenegildo Fernandes, Reis de Portugal – D. Sancho II, colecção Temas e Debates, 2010




