Sobre a greve de 24Nov2011
Deveriam ter encetado greves e outras formas de luta bem mais eficazes, noutros tempos bem mais atrasados:
– Quando estavam a subsidiar o desmantelamento da nossa frota pesqueira e aceitaram dinheiros para o fazer;
– Quando subsidiavam o arranque de vinhas e de modo geral incentivavam a que destruíssemos a nossa agricultura e aceitaram fazê-lo;
– Quando, em pleno “boom” da azáfama da construção civil, a siderurgia nacional deixou de produzir o aço de construção e passámos a importá-lo de Espanha;
– Quando, apesar dos constantes avisos de entidades idóneas, o Banco de Portugal, natural regulador do sistema económico-financeiro, fez ‘orelhas moucas’ ao evidente sobre-endividamento de uma boa parte das famílias portuguesas, as quais era previsível deixarem de poder honrar os seus compromissos, gerando crédito malparado e ficando incapacitada para, através do consumo, manter as empresas ‘a produzir’, mantendo assim os postos de trabalho – aqui tornou-se irrelevante uma vez que as empresas portuguesas foram falindo porque deixaram de ter escoamento da sua produção (efeito de repercussão);
– Quando, de modo geral destruíram o nosso aparelho produtivo e nos tornaram dependentes em mais de cinquenta por cento do exterior, nada produzindo e tudo importando;
– Quando, enfim, os políticos que temos tido, – uma boa parte dos quais vindos, em tempos já tão remotos que alguns de nós paulatinamente esquecemos, do exílio dourado em terras francesas, convenhamos –, nos forçaram a entrar no “grande caldeirão da pseudo união-europeia”, anátema da hegemonia europeia.
Estes são algumas das situações passadas, concomitantes nalguns casos, onde as organizações populares, supostamente de esquerda, deveriam ter actuado com inteira legitimidade, levando até às últimas consequências o seu protesto, que também seria, com toda a pertinência, do Povo Português – por inteiro.
Agora, nesta data tardia, feita a “despesa”, assumido o compromisso, nada mais resta do que honrá-lo. Seja por educação ou por questões de honra e justiça – entendam como melhor vos aprouver – não posso ter outro entendimento da situação, da qual, de modo global, não tivemos capacidade para melhor resolver no apropriado momento.
Luiz Andrino
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