LuizAndrino Blog

Algumas questões a debater.

Os nossos políticos não são gente!

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Fernando Pessoa (Foto Ferreira Gomes)

    

Eis o que escreveu Fernando Pessoa em 1915:

Perdemos a noção das proporções. Ainda há pouco profanavam o nome de Nun’Álvares na pessoa aliás simpática de Paiva Couceiro. Antes disso uns meliantes quaisquer pintaram o nome de Pombal nas democráticas costas de Costa.

Os nossos políticos não são gente. Nenhum deles mostra ter tido na sua vida uma daquelas crises espirituais donde se emerge talvez ferido para sempre, mas psiquicamente homem, personalidade espiritual.

São ateus pela mesma razão que o é um burro ou uma árvore. São portugueses porque, por desgraça nossa, nasceram adentro da nossa fronteira, oriundos de gente que assim tinha feito. Nenhuma consciência da Raça lhes acende um momento o olhar. São vazios e estúpidos. Só sabem comer e manobrar para comer.

A subserviência, a indisciplina, a desorganização dos homens; a desonestidade, a corrupção, a opressão dos processos governativos; a incúria com que fazem a educação como o fomento, o exército e a marinha como o comércio e a indústria – em que mudaram estas coisas, se não em refinarem, se não porque tudo piorou, pelo menos porque tudo progrediu, e onde o facto é o mal, progredir é piorar.

Cada vez mais corruptos, cada vez mais indisciplinados, cada vez mais à mercê do estrangeiro: vendidos ao perigo espanhol por Costa.

O facto de esse homem, que em nenhuma outra parte mandaria fora da regedoria ou junta de paróquia que condiz com a sua mentalidade rudimentar, teria a posse dum partido, e, através dele duma pátria.

Como é natural, a revolta atingiu o máximo nos adversários. Esta opressão, que todos nós sentimos, esta vergonha de estarmos sendo governados por tendeiros da política, que roubam no peso da própria retórica.

(Em "Carta a um herói estúpido", Ed. Ática, 2010)

     

E eu pergunto, perplexo: Afinal, em que data estamos?

Nota: O Costa (Afonso), o tal que queria acabar com o Catolicismo em duas gerações, é ainda hoje muito admirado por alguns políticos da nossa praça! … Quem sai aos seus não degenera! Na verdade tem-se "progredido" muito…

     

Eduardo Amarante

27-05-2010

     


Sinto-me burlado, insultado e assaltado!

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Hoje de manhã, na Antena 1 disseram que cada Português deve mais de 18.000 Euros ao estrangeiro.

Eu vivo do meu trabalho, não contraí nenhum empréstimo, as pouquíssimas dívidas que tinha paguei-as todas e NÃO DEVO NADA A NINGUÉM.

Então, como é isto?

Andam a gastar à minha conta, sem minha autorização, e eu é que tenho de pagar?

Como somos um casal, a minha mulher e eu, segundo dizem, devemos para cima de 36.000 Euros!

ISTO É UM ASSALTO!

É por isso que hoje há muitos novos-ricos que nunca produziram coisa nenhuma. O dinheiro teria de vir de algum lado. Um dos Valores que os meus Pais me transmitiram foi a HONESTIDADE.

Por isso sinto-me insultado quando me incluem no lote dos caloteiros.

Isto tem que dar uma volta!

Procuremos os Homens honestos e dignos para conduzir os destinos de Portugal!

      

Eduardo Amarante

29-04-2010

      


José Régio – Soneto quase inédito e muito actual

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‘José Régio e o seu burro’ – por Hermínio Felizardo

      

Soneto quase inédito

Surge Janeiro frio e pardacento,

Descem da serra os lobos ao povoado;

Assentam-se os fantoches em São Bento

E o Decreto da fome é publicado.

     

Edita-se a novela do Orçamento;

Cresce a miséria ao povo amordaçado;

Mas os biltres do novo parlamento

Usufruem seis contos de ordenado.

     

E enquanto à fome o povo se estiola,

Certo santo pupilo de Loyola,

Mistura de judeu e de vilão,

     

Também faz o pequeno "sacrifício"

De trinta contos – só! – por seu ofício

Receber, a bem dele… e da nação.

     

JOSÉ RÉGIO Soneto escrito em 1969, no dia de uma reunião de antigos alunos.

Tão actual em 1969, como hoje…

E depois ainda dizem que a tradição já não é o que era!!!

     

Eduardo Amarante

     


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Monumento a Viriato, Viseu, Portugal

     

(…)

– E a independência da Lusitânia, desta desditosa Pátria nossa amada?

– Completamente perdida! – respondeu o druida desalentado.

– Perdida, mas não para sempre – proferiu Lísia, com um acento de vivacidade e esperança.

– Quero ver a Espada de Viriato! É o que me resta do Esposo com quem estive sempre espiritualmente unida.

E pai e filha encaminharam-se para o subterrâneo da Torre redonda, em que se guardava o tesouro da Lusitânia. Lísia reconheceu a Espada.

E como se estivesse num delírio suave, ao levar a Espada aos lábios, o brilho da lâmina de aço reflectiu-se nos olhos grandes e rasos de lágrimas, e operou-se no seu espírito uma miragem do futuro.

(…)

Então Lísia, voltando a lâmina refulgente, contemplou com mais assombro:

– A Lusitânia livre, depois de reconstituída no seu solo, reata a tradição dos antigos navegadores ligúricos, e lança-se à descoberta das Ilhas do Mar Tenebroso, e tocando os dois continentes, vai fundar um novo Império lá aonde o sol se alevanta! É ainda a Espada de Viriato na mão firme do seu Capitão terribil, que cimenta esse Império em bases inabaláveis, em que se mantém por séculos! Para quê prescrutar tanto o futuro? A Lusitânia revive…"

Lísia entregou a Espada de Viriato ao velho druida para a guardar no tesouro secreto da Ilha de Achale."

(In "Viriato", Teófilo Braga, ed. Zéfiro)

     

Eduardo Amarante

Sex 11Jun2010 00:27 - Publicado por | Uncategorized

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