LuizAndrino Blog

Algumas questões a debater.

Por cá, tudo igual a si próprio

Apesar de faltarem mais de três anos para as próximas eleições legislativas, podemos observar o principal partido da oposição e seus satélites, acotovelando-se na propaganda política anti-governamental, quer na demanda quer na fabricação de casos políticos dos quais possam retirar proveitos eleitorais, de modo a conseguir o poder político e manter gorda e anafada a sua clientela — e parentela — que os tem acompanhado nas últimas décadas. Essa é, aliás, a tormenta que nos é infligida há séculos.

 

Criticando e injuriando o actual governo — que tem demonstrado uma inusual honestidade governativa —, recriminando-o por não ter feito o que o seu próprio grupo partidário não fez ao longo de todos estes anos — melhor dizendo, foram criando e alimentando o impropério —, procuram assim conseguir de forma velada reconquistar o poder que perderam pelo mau uso que dele fizeram, em desproveito da Nação e do Povo português.

 

O panorama político nacional, continua assim igual a si próprio.

 

Ou os ignoramos, ou perecemos vítimas do seu ardil. Escolho a primeira.

Qui 15Mar2012 01:24 Posted by | Uncategorized | 3 Comentários

Sobre o “Acordo” Ortográfico

Publico aqui mais uma valiosa achega sobre o novo “Acordo” Ortográfico.

O texto não é meu e já tem uns anos, e nele figuram todas as indicações sobre a sua autora.

Nestes tempos de profunda crise, onde, por via da inclusão de Portugal no espaço europeu, tanto vamos perdendo da nossa soberania política e económica, creio não ser pedir demais, que pelo menos nos deixem a língua pátria tal como estava. Teremos assim algo de substancial para nos recordar a Pátria soberana que antes tínhamos.

Segue o artigo em causa:

Jornal “Comunicando”, página 8

Nº 2 – ano 1 – Fevereiro 1991

Órgão oficial da Associação Portuguesa de Relações Públicas

Director: José Marques das Neves

A cor do acordo

Isabel Ferreira *

No dia 15 de Dezembro de 1990, em Lisboa, no Palácio da Ajuda, os ministros e secretários da cultura dos países lusófonos assinaram, inesperadamente, o chamado Acordo Ortográfico, elaborado por membros da Academia das Ciências de Lisboa. Cerca de dois meses antes, tinha sido assinado o projecto. Pode dizer-se que não houve demora nem hesitação.

Entre alunos e professores da Faculdade de Letras, e em círculos ligados aos estágios de Português, falava-se da mudança (que se discutia em privado) e ninguém sabia qual era. Os anteprojectos de 86 e 88 estavam a ser feitos, mas o seu teor estava e está (quantos o conhecem?…) no segredo dos deuses. Na altura, tanto a Comissão da Língua Portuguesa, como professores, linguistas, escritores e demais indivíduos e associações interessadas, defenderam a necessidade de um debate público e alargado. O debate nunca se fez. Porquê?

Sem entrar em grandes pormenores técnicos, convém saber quais as principais consequências ortográficas para o nosso país. Já toda a gente fala da queda das consoantes mudas, como, por exemplo, na palavra «acta». Ganhamos mais uma (entre tantas outras!) homógrafa e o prazer de procurar no contexto o sentido da palavra. Esta alteração afecta cerca de 600 vocábulos. Temos, ainda, casos de dupla grafia, porque, às vezes, a não articulada cai, outras não, é facultativo. Isso mesmo, facultativo, como se essa consoante perseguida não fizesse falta nenhuma! O facto é que faz. No campo dos acentos também está prevista, para certas palavras, a dupla acentuação: acento agudo em Portugal e países africanos, acento circunflexo no Brasil. Onde se põe, ou não, o hífen, parece-me de menor gravidade, mas também , não vejo nenhumas vantagens nas regras do acordo. O «K», o «W» e o «Y» vão ser incluídos no nosso alfabeto. Sejam bem-vindos. No total, há 2600 termos atingidos, o que equivale a 2,34 por cento do nosso léxico.

Os «pais» do acordo – autores e demais intervenientes – não aceitam a polémica gerada. Tanto em Portugal como no Brasil há muita gente a reagir: são apelidados de retrógrados, obstinados, conservadores… no mínimo. O acordo, dizem os seus responsáveis, além de ser necessário como actualização, perspectiva o futuro, visa a unidade da Língua, põe o Português, como língua oficial, em organizações internacionais (convencemos pelo número, sempre são 170 milhões) e ajuda a aprendizagem da própria língua.

Aliciante à primeira vista, confuso para o olhar atento. Pessoalmente discordo do acordo. Não estou confusa. Nem aliciada.

Como professora sei que a anarquia ortográfica vai reinar, sobretudo por causa do «alçapão» da arbitrariedade. Mais: semanticamente também vamos ter que admitir muita coisa; o espírito vai ser: lá como cá. Isso significa que o léxico e, até, a construção sintáctica das novelas vão influenciar a expressão escrita. Já há muito tempo que esta invasão cultural nos revolta. De futuro vai ser pior.

Na imprensa fala-se de ACORDO e ACTUALIZAÇÃO como se fosse a mesma coisa. Não é. Sou pela actualização, feita por quem fala a língua (os falantes) e por quem a escreve (os escritores, jornalistas, entre outros). Se tudo evolui , a Língua, como organismo bem vivo, evolui também. Essas são imparáveis, naturais, em espaço e tempo próprio, sentidas como inevitáveis. Considero ridículo e perigoso fazê-las por decreto assinado por políticos e alguns linguistas. Que direito têm? Quem lho deu?

Está prevista para 1 de Janeiro de 1994 a entrada em vigor do célebre decreto. O texto diz a certa altura: «Adoptar as medidas que entenderem adequadas ao efectivo respeito da data de entrada em vigor». O que me indigna nem é tanto a pobre «muda», nem o problemazito dos traços – sejam acentos ou hífens – o que me indigna, isso sim, é ser tudo resolvido à «queima-roupa» (como um golpe de Estado) e imposto, como nas ditaduras.

Voltemos ao vocábulo ACORDO. Um dicionário bastante divulgado, o «Lello Universal», diz na página 40 do 1º volume: «acordo» é «conformidade de ideias e de sentimentos, bom entendimento. Harmonia. Transacção. Convenção». Quanto à harmonia e à conformidade tal e tal, já se viu que não existem. Resta-nos, para justificar o termo «acordo», analisar as vantagens e desvantagens, os benefícios e prejuízos que os intervenientes conseguiram na negociação.

Começo pelos países africanos de expressão portuguesa. Sobre os considerandos ortográficos não há muito a dizer: sempre seguiram a nossa norma e vão ser obrigados às mesmas alterações. Em termos culturais e económicos vão ter imensas vantagens: expansão da actividade editorial, das bibliotecas nacionais, dos livros escolares, além da integração, sob estes aspectos, no esquema de cooperação internacional. Não espanta, portanto, que defendam este acordo incondicionalmente.

O Brasil, segundo se afirma, também cedeu. Cedeu a aplicação de grande número de acentos e aceitou alterações à hifenação. Cedeu menos do que nós, o que é grave, mas, mesmo assim, muitos intelectuais recusam-se a aceitar as novas regras e os protestos não param. Em contrapartida, está a envidar esforços para que o Instituto Internacional da Língua Portuguesa seja instalado no Maranhão e não em Portugal, como é legítimo. E não haja ilusões: vamos assistir a uma «chuva» de livros brasileiros e livros técnicos de toda a ordem. Não há dúvida que vai ser um bom negócio! Já se está a investir nele em larga escala, a fazer fé na imprensa brasileira.

E Portugal? Portugal assinou um acordo sem utilidade. Pior: só nos dá prejuízo.

As dificuldades de adaptação vão ser enormes (imaginem o caos nas escolas, nas repartições do Estado, nos jornais e nas tipografias) e a aprendizagem mais difícil, dado o aumento da homografia e ambiguidade (quase maldosa) no uso de acentos e consoantes não articuladas. Na prática, significa que estaremos sempre a balançar entre a norma portuguesa e a brasileira.

Nunca verifiquei que ortografias diferentes impedissem cooperação e intercâmbio cultural. Os meus alunos, mesmo os mais pequenos, lêem Jorge Amado, o Jorge Amado que escreveu textos para eles. Lêem e percebem-no perfeitamente. Se no Brasil não são mais lidos e conhecidos os nossos autores, garanto que a barreira não é ortográfica. Chega a ser cómica a insistência na «unificação», quando não há a mínima hipótese de que ela aconteça na realidade. Vivemos em espaços diferentes, com substratos linguísticos diversos, realidades e mentalidades próprias. Evoluímos diferentemente. Como é possível acreditar em «unificação»? Quem quer enganar quem?

Em termos económicos vai ser o desastre. Os livros em geral e, especialmente, os dicionários, enciclopédias, gramáticas, livros científicos, vão ter que ficar guardados como relíquias do passado, na altura de «puxar cordões à bolsa» pode bem acontecer que estejam a comprar uma obra de José Olímpio Editora, do Brasil. Estes e outros irão estar na primeira linha.

E as editoras portuguesas? Esta decisão, mais política do que outra coisa, vai deixá-las com dezenas de milhões de contos de prejuízo. O nosso Secretário de Estado da Cultura afirmou estarem previstos subsídios e linhas de crédito, mas, a avaliar pela experiência noutras áreas, não é difícil imaginar que serão insuficientes e chegarão tarde. Quem vai, de facto, cobrir as imensas despesas das editoras? Todos nós, ao pagarmos preços exorbitantes pelos novos livros. Quem viver, verá.

Feito o balanço, fica-se com esta certeza incomodativa: todos aproveitam excepto nós. Não há dúvida, estou contra. E insisto: o rei vai nu.

*

- Licenciada em Filologia Românica

- Professora do Ensino Secundário

- Exame de Estado em 1973

- Orientadora de Estágios de Português do Ramo Educacional (Faculdade de Letras)

Seg 13Fev2012 16:09 Posted by | Uncategorized | Deixe o seu comentário

Votos de Boas Festas e Bom Ano 2012

Venho aqui hoje apenas para desejar a todas as pessoas com as quais, de alguma forma, mantenho contacto através deste meio virtual — quer seja pelo meu pequeno e insignificante blogue, quer pelas redes sociais do Facebook, do Twitter e de outras —, os meus votos de Boas Festas e de Novo Ano próspero e de satisfação dos mais ardentes desejos de felicidade para todos.

Convicto de que a felicidade de cada um não poderá estar dissociada da felicidade dos que nos acompanham neste percurso pelo tempo, atrevo-me a desejar para este novo ciclo agora em início, Paz e Harmonia entre todos e de todos com a Mãe Natureza que nos criou e nos nutre; que nós, portugueses, tenhamos a sabedoria e clarividência para, em conjunto e libertos dos interesses de grupos decididos a ensombrado a Nação que antes fomos, encontrar o caminho que nos conduzirá à paz, estabilidade e harmonia social e onde predomine o respeito e a bondade.

Desejo que este Natal seja para os cristãos o início de um ciclo onde impere nos homens a Esperança e o Amor. Para todos, desejo também que o renascimento deste novo ciclo traga Paz e Prosperidade na abençoada Terra.

Para todos: “Louvemos a DEUS, pois Ele é digno de ser louvado”

Luiz Andrino

Qui 22Dez2011 23:56 Posted by | Uncategorized | Deixe o seu comentário

Ainda o (des)acordo ortográfico

Nos muitos textos que vou escrevendo na minha língua materna, sou, com frequência, vítima da crítica surda do corrector ortográfico que controla com avidez a minha sôfrega escrita. Sinto-me ultrajado por tal intromissão na verbosidade da minha retórica.

Não entendo como é possível a um povo e à sua respectiva língua – que já conta perto de novecentos anos de história e subsequente cultura tão farta e categoricamente inolvidável –, ver-se confrontado com a perspectiva de, por uma lei inusitada, ter de se subjugar aos caprichos prematuramente impostos por uma outra Nação, “irmã” que seja, hipoteticamente detentora de um rácio económico-financeiro que a poderá levar a ser no futuro, mesmo próximo que seja, uma superpotência a nível mundial.

Para além de tal “etiqueta” nada significar para a grande maioria do povo desse país – que continuará a viver nas grandes (imensas) cidades em condições infra-humanas –, ela nunca deveria ser ponta de lança para nos impôr regras na língua que é nossa, e sempre será de pleno direito.

A questão é demasiado simples: um país, que nasceu como tal, há cerca de duzentos anos, não tem nem nunca conseguirá sentir o saudável e heróico peso da história, acumulada em séculos e séculos de vida própria e de convivência com os mais diversos povos – tais como celtas, hebreus, cartagineses, gregos, romanos, visigodos, árabes; só para mencionar os mais conhecidos – de modo a interiorizar os ensinamentos recolhidos em todas essas gerações. Só nós próprios, portugueses, o conseguimos fazer, pese embora a eloquência da Nação a que me referi nas anteriores linhas.

A perda de parte da nossa identidade cultural e linguística, mais uma vez, será enorme; e desta feita por razões completamente disparatadas, postoque será sem efeito causal.

Após a tomada de posse deste novo governo, resultante do plebiscito então efectuado, mantive a esperança de que algo seria feito para obviar a este “desastre”. Enganei-me redondamente: parece que nada pode acordar o sedado patriotismo das “gentes” que a tudo deveriam estar dispostas para defender a honrosa “Causa Portuguesa”. Para mim, quanto ao actual executivo, fica esta enorme “pedra no sapato”, que me fere enquanto caminho, sempre na dúvida se algo de positivo não poderia ter sido feito.

Pena não conseguir chegar mais longe neste lamento que aqui deixo, tanto mais que estou consciente de que ele espelha tantos outros lamentos de portugueses que sentem correr nas veias o sangue deste Portugal que se desvanece.

Luiz Andrino

Qua 14Dez2011 18:19 Posted by | Uncategorized | Deixe o seu comentário

Reflexão…

 

Reflexão…

 

« […] for what can we bequeath

Save our deposed bodies to the ground?

Our lands, our lives, and all are Bolingbrook’s:

And nothing can we call our own but death,

And that small model of the barren earth

Which serves as paste and cover to our bones.

For God’s sake, let us sit upon the ground,

And tell sad stories of the dead of kings –

How same have been deposed, some slain in war,

Some haunted by the ghosts they have deposed,

Some poisoned by their wife’s, some sleeping killed,

All murdered. For within the hollow crown

That rounds the mortal temple of the king

Keeps Death his court; […]

[…] Throw away respect,

Tradition, form, and ceremonious duty,

For you have but mistook me all this while.

I live with bread, like you; feel want,

Taste grief, need friends. Subjected thus,

How can you say to I am a king? »

 

 

« […] Que temos que testar,

Salvo o deposto corpo entregue ao túmulo?

Tudo o que é nosso e a vida a Bolingbrook’s advêm,

E o que diremos nosso senão morte nossa

E esta pequena crosta de singela terra,

Que serve só para cobrir os ossos?

Ah, por amor de Deus, sentemo-nos no chão,

Contando histórias tristes da morte dos Reis:

Como têm sido alguns depostos; outros

Caíram em combate; alguns possessos

Pelos fantasmas que deposto haviam;

Outros envenenados por esposas,

Enquanto outros, dormindo, foram mortos:

Assassinados todos. Pois dentro da Coroa

Que as têmporas mortais de um Rei circunda

Tem sua Corte a Morte […]

[…] Deitai fora

Respeito, as tradições, as etiquetas,

Porque me haveis julgado o que não sou:

Vivo de pão, qual um de vós. E sinto faltas,

Procuro amigos, sofro dores. Assim sujeito,

Como podeis dizer-me que sou Rei? »

 

 

W. Shakespeare, Richard II, 3, 2.

(tradução portuguesa de Jorge de Sena, Poesia de 26 Séculos – de Arquíloco a Nietzsche, antol., trad., pref. e notas de Jorge de Sena, Coimbra, Fora do Texto, 1993)

 

In, Hermenegildo Fernandes, Reis de Portugal – D. Sancho II, colecção Temas e Debates, 2010

Sáb 03Dez2011 19:45 Posted by | Uncategorized | Deixe o seu comentário

Sobre a questão dos dias feriados

Mesmo correndo o risco de ser polémico – por certo vou sê-lo –, sempre vou dizendo que não entendo muito bem o facto de algumas pessoas se manifestarem contra a abolição de alguns feriados.

Afinal estão contra a proibição da comemoração – que de todo nunca foi colocada – de uma determinada data com significado especial e que como tal merece ser celebrada, ou apenas lutam por mais um dia de descanso?

Tomei a decisão de começar por colocar este aspecto da questão, porque entendo ser crucial para a compreensão, sem sofismas, do problema em apreciação. A questão é naturalmente complexa e poderá ser abordada em variadas vertentes. Mais um dia de folga sabe sempre bem, mas como fica a celebração da efeméride em consideração? Será que os portugueses que ficam em gozo do dia feriado sabem o que estão a celebrar e efectivamente comemoram? Se a resposta a estas questões é negativa, então qual o significado real do dia feriado?

Considerando a hipótese da abolição do dia feriado – ou melhor dizendo, da transferência para o dia de descanso semanal imediato –, creio que a primeira questão a colocar será: somos o país europeu que tem mais feriados anuais? Não creio que assim seja. Mas se considerarmos que assim é, a diferença não será por certo significativa. De qualquer modo, é do consenso geral já manifestado amiúde por conceituados analistas da nossa praça, que se por um lado gozamos mais um ou dois feriados por ano em relação aos nossos parceiros europeus, somos o país da europa onde o salário mínimo efectivamente praticado é dos mais baixos e onde os salários são a parcela menos significativa nos custos de exploração.

A luta pela redução do número de dias feriados sempre foi um dos “cavalos de batalha” das associações patronais, que nunca tiveram em linha de conta outros dados da vasta relação laboral – recordo que ainda recentemente as associações patronais levantaram uma imensa celeuma perante a possibilidade de verem o valor do salário mínimo aumentado em vinte e cinco euros mensais, avançando com ameaças de despedimentos futuros se o projecto fosse levado à prática. A mediação deste antagonismo, aliás natural, por parte do executivo, torna-se difícil e exige uma postura negocial muito flexivel mas determinada na aplicação criteriosa de justiça social.

Não sendo, por princípio, defensor da abolição/transferência de datas dos dias feriados em vigor, tenho no entanto de convir, em boa justiça, que nos últimos anos eles se vão somando, de modo inapelável, comemorando golpe de Estado após revolução num interminável ciclo de lutas pelo poder, quantas vezes fratricidas e alheias aos legítimos interesses do Povo e da Pátria portuguesa.

Posto isto, difícil se torna indicar quais feriados deveriam ser abolidos do nosso calendário festivo. Acresce ainda que algumas datas de comemorações mais recentes, não têm de facto significado maior que se lhes apegue; valem tão-somente como dia de descanso.

Lastimo no entanto não haver um Dia de Portugal, da fundação do reino e da nacionalidade; quanto ao 10 de Junho, não entendo como possa ser considerado como tal. O dia da assinatura do Tratado de Zamora, 5 de Outubro, seria uma boa data não fosse a confusão que poderia surgir com o dia da instauração do regime republicano e assim deturpar o significado primeiro da fundação da nacionalidade que deveria prevalecer sobre questões de interesse de grupo.

O dia 1 de Dezembro, postoque se refere à renovação da nossa independência em relação a Espanha bem como à restauração da nossa Soberania, poderá ser, na minha perspetiva, uma data consensual para o Dia de Portugal, que como tal deverá ser festejada com igual motivação por todos os portugueses.

Luiz Andrino

Sex 02Dez2011 00:40 Posted by | Uncategorized | Deixe o seu comentário

A necessária contenção

    Continuamos a assistir a reivindicações de vários sectores da população sobre a sua premente necessidade de verem aprovadas iniciativas de todo o interesse social e local, das quais essas populações são, sem qualquer sombra de dúvida, dignas de usufruir. No entanto, creio ser necessário interiorizar que em virtude dos excessos cometidos num passado recente, o erário público (passo a usual redundância) carece de liquidez para atender às suas justas expectativas; este parece-me um dado irrefutável, como prova o enorme endividamento do país não só a nível nacional, mas também local.

Talvez se tivesse havido alguma contenção no passado, possível pelo menos nalguns casos (infelizmente muitos) que ainda hoje facilmente pode observar quem se predispõe a percorrer o país utilizando as estradas nacionais e evitando auto-estradas e vias-rápidas – também elas na sua construção nos endividaram até ao absurdo –, talvez assim pudéssemos continuar a ser “felizes”.

Nessa viagem que proponho, poderemos notar rotundas ligadas apenas por duas vias (muitas rotundas), campos de futebol com relva artificial e pavilhões gimno-desportivos com estruturas de valor relativamente elevado implantadas em povoações contíguas e poucos distantes o que pressuporia a possibilidade da partilha das respectivas instalações, assim como piscinas e outros complexos desportivos e culturais de apreciável dimensão em lugares vários, que bem sabemos serem as populações por si só incapazes de poderem pagar, sendo até difícil sequer mantê-los com o seu trabalho e respectivos impostos; terá de ser todo o Povo português a fazê-lo, particularmente a chamada classe média, boa parte da qual viverá porventura sem nunca usufruir de tais equipamentos. Tudo ficou pior ainda vendo-nos confrontados com a sistemática destruição do nosso aparelho produtivo e a importação massiva de bens de consumo, que bem podiam ser cá produzidos e gerando assim a riqueza necessária à sustentabilidade da economia.

O acervo de execução de obras públicas, quer a nível nacional quer local, que assolou a país nos últimos anos teve obviamente uma componente válida, pois para além de dotar o país com as mais variadas infraestruturas, criou e sustentou postos de trabalho importantes para as populações. No entanto, tais empreendimentos eram sustentados por verbas que o erário público (passo a usual redundância) já não detinha e por essa razão foram obtidas através de empréstimos que agora têm de ser pagos. Creio que toda a gente já o entendeu e como tal não compreendo quando ouço ainda alguns sectores a reclamar a atribuição de mais verbas; provavelmente será ainda o eco de tempos idos. Simplesmente, não há dinheiro!

Claro que se compreende a justa expectativa das populações de melhorarem as suas condições de vida, particularmente as do interior. Mas teremos de esperar por melhores dias e ter esperança que virão. No entanto tal só será possível através do trabalho, e com ele a criação de riqueza. Para tal, necessário se torna reinventar o nosso aparelho produtivo, baseando-o na agricultura, nas pescas e na indústria, aproveitando a excelente localização geográfica e as favoráveis condições climatéricas que dispomos; qualquer percurso que não passe por aí estará inexoravelmente votado ao fracasso. Para tal desígnio, teremos de contar necessariamente com todas as forças vivas da população e com o seu empenho para alcançar tais objetivos, onde cada um, no presente momento, terá de limitar os seus ganhos para obviar a que todos nos afundemos.

A situação com a qual nos confrontamos, não apareceu por acaso. Todo o percurso desta “crise” até à fase aguda em que agora se encontra – particularmente neste momento – parece ter sido orquestrado no sentido de forçar a federalização dos países europeus; todos nós aprendemos que em política, o que parece, é. E é difícil compreender tudo isto de outra maneira: o esbanjamento da reserva nacional em negócios muito mal explicados e em aplicações de retorno duvidoso que levaram ao seu inopinado esbulho; a destruição do aparelho produtivo nacional, que antes existia e nos sustentava; a utilização de dinheiros da segurança social de modo indiscriminado que põe agora em causa a sua sustentabilidade e o pagamento das pensões de reforma para muitos que contribuíram efectivamente durante mais de quarenta anos e que estão em risco dela não usufruírem de modo pleno; enfim, toda a trama perceptível na conjuntura política europeia, deixa sob suspeição os actos políticos que nos levaram até aqui.

O actual governo tem agido duramente a nível fiscal no sentido de conseguir os objectivos a que se propôs. Confio na honestidade e honorabilidade dos seus membros, assim como na sua capacidade e competência para levar a bom termo a tarefa de que foi investido pela larga votação que o elegeu; não surgiram até ao momento razões que suscitem quaisquer dúvidas, para além de alguma “fumaça” lançada pelo partido político responsável pelo anterior governo e que foi amplamente derrotado nas últimas eleições. No entanto, queria deixar aqui um apelo e de convidar o actual executivo a actuar no sentido de regularizar os excessos cometidos no passado – que nalguns casos parece prolongarem-se no presente –, em relação a alguns sectores ligados à administração pública que usufruem de rendimentos e benefícios não consentâneos com esta época de austeridade que a todos nós afecta; em termos económicos poderá ser tido como irrelevante na despesa, no entanto será de suma importância no aspecto de justiça social e no apaziguamento da população que já deu e continuará a dar muito para além do razoável. Conspira ainda para a existência de alguma irregularidade e desconforto no tecido social, o evidente mau funcionamento da justiça; esta questão, como é sabido, excede o âmbito do executivo. No entanto, e apesar de ser notado alguma melhoria, convirá por certo melhor adequá-la ao momento de extrema gravidade que todos nós estamos forçados a viver.

Luiz Andrino

Qua 30Nov2011 23:45 Posted by | Uncategorized | Deixe o seu comentário

Sobre a greve de 24Nov2011

Deveriam ter encetado greves e outras formas de luta bem mais eficazes, noutros tempos bem mais atrasados:

– Quando estavam a subsidiar o desmantelamento da nossa frota pesqueira e aceitaram dinheiros para o fazer;

– Quando subsidiavam o arranque de vinhas e de modo geral incentivavam a que destruíssemos a nossa agricultura e aceitaram fazê-lo;

– Quando, em pleno “boom” da azáfama da construção civil, a siderurgia nacional deixou de produzir o aço de construção e passámos a importá-lo de Espanha;

– Quando, apesar dos constantes avisos de entidades idóneas, o Banco de Portugal, natural regulador do sistema económico-financeiro, fez ‘orelhas moucas’ ao evidente sobre-endividamento de uma boa parte das famílias portuguesas, as quais era previsível deixarem de poder honrar os seus compromissos, gerando crédito malparado e ficando incapacitada para, através do consumo, manter as empresas ‘a produzir’, mantendo assim os postos de trabalho – aqui tornou-se irrelevante uma vez que as empresas portuguesas foram falindo porque deixaram de ter escoamento da sua produção (efeito de repercussão);

– Quando, de modo geral destruíram o nosso aparelho produtivo e nos tornaram dependentes em mais de cinquenta por cento do exterior, nada produzindo e tudo importando;

– Quando, enfim, os políticos que temos tido, – uma boa parte dos quais vindos, em tempos já tão remotos que alguns de nós paulatinamente esquecemos, do exílio dourado em terras francesas, convenhamos –, nos forçaram a entrar no “grande caldeirão da pseudo união-europeia”, anátema da hegemonia europeia.

Estes são algumas das situações passadas, concomitantes nalguns casos, onde as organizações populares, supostamente de esquerda, deveriam ter actuado com inteira legitimidade, levando até às últimas consequências o seu protesto, que também seria, com toda a pertinência, do Povo Português – por inteiro.

Agora, nesta data tardia, feita a “despesa”, assumido o compromisso, nada mais resta do que honrá-lo. Seja por educação ou por questões de honra e justiça – entendam como melhor vos aprouver – não posso ter outro entendimento da situação, da qual, de modo global, não tivemos capacidade para melhor resolver no apropriado momento.

Luiz Andrino

Qui 24Nov2011 23:21 Posted by | Uncategorized | Deixe o seu comentário

Actualidades

Depois de ter assistido ao ‘telejornal’ da hora de almoço da emissão televisiva de hoje, continuo ainda mais convicto de que a justiça em Portugal está enferma, apesar de alguns resquícios de salubridade que se podem descortinar aqui e ali. Na minha opinião, continuo certo de que o problema da justiça em Portugal passa, indiscutivelmente, pelo exercício da advocacia e do poder que inusitadamente lhe foi cedido.

Partindo da ideia simples de que a justiça deverá, em última análise, encarcerar os ladrões e assassinos para descanso e segurança das populações, receio bem que tal requisito não esteja a ser conseguido de modo tão presto como seria desejável – reparem que estou intensionalmente a tecer considerações marcadamente benévolas.

Algo terá de ser feito de forma rápida, se queremos reaver o Estado de Direito que em algum momento no passado tivemos – não vou referir datas para não ferir susceptibilidades.

Luiz Andrino

Qui 17Nov2011 15:30 Posted by | Uncategorized | Deixe o seu comentário

Como fazer piões com um calhambeque

 

Impressiona-me ouvir os políticos que tivemos nestes últimos malfadados trinta e sete anos – cada um deles mais responsável pelas nossas dificuldades actuais que todos os outros –, dissertar sobre a crise que ora vivemos, propondo soluções milagrosas de como sair deste imenso lodaçal em que nos meteram.

Distribuindo profusamente medidas de austeridade e poupança para todos nós – logo eles, alguns dos quais usufruindo de lautas e inexplicáveis benesses do Estado que pendem necessariamente sobre o erário público –, instruem-nos sobre a forma de como sair desta situação apertada. Sinto-me como se estivesse a receber conselhos do lobo, sob a forma como posso escapar de ser comido.

Esta situação que vivemos, que eu apelido de calamitosa, por maioria de razão nunca poderá ser ultrapassada fazendo fé na análise inopinada de quem não demonstrou capacidade nem competência para governar; é do consenso geral que a solução não poderá estar no meio onde o problema foi gerado.

Algumas individualidades por vezes deixam transparecer, como justificação para o mau serviço que prestaram ao país, a imprevisibilidade da situação económica internacional que apanhou de surpresa toda a Europa arrastando-a para uma situação emergente. Tal argumento não colhe, porque nem toda a Europa sofreu o embate da mesma forma, sendo que o nosso país se encontra na pior situação possível, à excepção da Grécia.

O acervo de liberdade que tomou a sociedade portuguesa, levou a maioria a pensar que tinha todos os direitos que pudesse imaginar, mas dever não tinha nenhum. Existe pelo menos uma empresa pública, onde os trabalhadores recebem um subsídio de assiduidade e como tal atribuído só pelo facto de comparecerem ao trabalho, como se essa não fosse uma obrigação inerente ao facto de serem empregados da empresa e de receberem o respectivo salário; encontraríamos imensos exemplos de tais exageros.

De realçar no entanto, que este pequeno exemplo que referi será da espécie menos onerosa. No entanto as acções de má gestão levadas a cabo por motivos eleitoralistas, aquisição de benefícios pessoais e de grupo levaram-nos até esta situação insustentável em que nos encontramos. Temos de encarar o facto incontroverso de que em Portugal, os partidos políticos se tem manifestado como empresas privadas que pretendem chegar ao poder com o único fim de redistribuir áreas de influência e o erário público pelos seus associados como se de dividendos se tratasse. Entre eles não existe verdadeiro sentido de Estado nem qualquer sentimento patriótico; até o inalienável “Estado de direito” se fica pelas calendas gregas.

Enfim, referindo-me ao título que dei a este pequeno artigo, com os “calhambeques” que temos, arriscado se torna tentar fazer “piões”. Gosto de pensar que podemos esperar melhores dias.

Luiz Andrino

Qua 26Out2011 17:27 Posted by | Uncategorized | Deixe o seu comentário

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